Quem Conduz Hoje

Beatriz chegou em casa com a chave na mão e um sorriso que Marina conhecia bem. Era o sorriso de quem tinha passado a semana inteira pensando em alguma coisa e ainda não tinha dito.

— Fala — disse Marina, encostada no balcão da cozinha, descalça, com uma taça de vinho pela metade.

— Falar o quê?

— Você está com cara de segredo desde ontem.

Beatriz largou a bolsa na cadeira. Riu, olhou para o chão, olhou de volta.

— Tem uma coisa que eu queria experimentar. Mas só se você também quiser. Se não quiser, a gente esquece e pede pizza.

Marina deixou a taça de lado. Aquele “só se você também quiser” era uma das coisas que ela mais gostava na mulher com quem dividia a casa havia quatro anos. Nunca vinha como pedido disfarçado de ordem.

— Estou ouvindo.

— Eu queria que você me conduzisse. De verdade. Você decide o ritmo, eu me entrego. E queria… — Beatriz respirou fundo. — Queria que fosse com uma cinta. Eu tenho curiosidade, nunca fiz, e só consigo imaginar com você.

O silêncio durou dois segundos. Marina atravessou a cozinha devagar e parou diante dela, perto o bastante para sentir o perfume do fim de expediente, misturado com o cansaço bom de sexta-feira.

— Obrigada por me contar — disse, baixo. — Isso não é pouca coisa.

— Então você topa?

— Topo conversar agora, antes de qualquer outra coisa. Combinados primeiro.

E conversaram. Sentadas no sofá, de pernas cruzadas uma para a outra, como duas pessoas planejando uma viagem. Marina perguntou o que Beatriz imaginava, o que não queria de jeito nenhum, o que tinha receio. Combinaram uma palavra: “vermelho”, para parar tudo, sem explicação e sem drama. Combinaram que qualquer uma das duas podia pedir pausa no meio, rir, mudar de ideia. Combinaram lubrificante à base de água, que combina com tudo, e tempo de sobra.

— A gente começa devagar — disse Marina. — Se ficar esquisito, vira piada e a gente segue o jogo de outro jeito.

— Combinado.

Na gaveta da mesa de cabeceira havia uma cinta de couro ajustável, que Marina tinha comprado na semana anterior, depois de uma conversa semelhante, mais curta, num domingo qualquer. Ela não disse isso. Só foi até o quarto, acendeu o abajur no mínimo e esperou Beatriz entrar.

— Senta aqui.

Beatriz sentou na beira da cama. Marina ficou de pé à frente, colocando a cinta com a calma de quem não quer assustar ninguém, ajustando as tiras no quadril, conferindo o encaixe. Beatriz observava com os olhos arregalados e uma risada presa no peito.

— Está rindo de quê?

— Estou nervosa.

— Eu também. — Marina se agachou na frente dela, apoiou as mãos nos seus joelhos. — Isso é bom. Quer dizer que importa.

Foi aí que a risada de Beatriz virou outra coisa. Marina a beijou, primeiro de leve, depois com a lentidão de quem tem a noite toda. Tirou a blusa dela botão por botão, parando para olhar, para tocar a clavícula, a barriga, a curva do ombro. Na mesa de cabeceira, um bullet rosa esperava. Marina o ligou na velocidade mais baixa e o deslizou pela parte interna das coxas de Beatriz, sem pressa, observando o rosto dela, até a respiração mudar.

— Gostoso?

— Muito.

— Me diz se for demais.

— Não é.

— E se for?

— Eu falo “vermelho”.

— Isso.

Beatriz deitou de costas, e Marina subiu na cama com ela. Havia algo de novo no jeito de se mover, uma segurança de quem assume o comando e continua perguntando, olhando, esperando a resposta antes do próximo passo. Cada vez que Beatriz fechava os olhos, Marina esperava que ela os abrisse de novo.

— Olha para mim.

— Estou olhando.

— Está pronta?

Beatriz puxou o rosto dela para um beijo e respondeu com o corpo, o que valia mais do que qualquer resposta em voz alta. Marina foi devagar, com lubrificante de sobra, parando quando precisou, recomeçando quando a mão de Beatriz, apoiada no seu braço, pedia mais. Houve uma risada em algum momento, uma pausa para ajustar uma tira, um “espera, assim está melhor”. Nada daquilo quebrou o clima. Pelo contrário: era a confiança fazendo o trabalho dela.

Quando o ritmo encontrou o seu lugar, as duas pararam de falar. Sobraram o quarto à meia-luz, o som da respiração, os dedos de Beatriz fechados no lençol e depois no cabelo de Marina. O fim chegou como chega o fim das coisas boas: sem aviso, inteiro, com o nome de uma sussurrado na orelha da outra.

Depois, ficaram deitadas por muito tempo, sem precisar preencher o silêncio.

— Gostou? — perguntou Marina, com a cabeça no ombro dela.

— Gostei de tudo. Principalmente de você perguntar.

— Eu sempre vou perguntar.

— Eu sei. É por isso que eu pedi.

Beatriz virou o rosto e sorriu, o mesmo sorriso da cozinha, mas sem nenhum segredo.

— Semana que vem eu conduzo.

— Combinado.

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Quer inspirar uma noite assim? Vale lembrar que o essencial da história não está nos acessórios, e sim na conversa, nos combinados e na vontade das duas. Se o desejo é o mesmo, estes itens aparecem no conto:

Cuidados: higienize os acessórios antes e depois do uso, use lubrificante à base de água, combinem uma palavra para parar e interrompam se houver dor. Persistindo o desconforto, procure um(a) ginecologista. Dúvidas? Fale conosco no WhatsApp (11) 99153-6029 ou no Telegram. Embalagem em caixa lisa, sem logo e sem o nome do produto.

Conto de ficção para maiores de 18 anos. Personagens fictícias.

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